Incubadora Afro Brasileira na FIRJAN

nov 10, 2011   //   por deustaquio   //   Destaque  //  Sem Comentários

O Diretor Executivo da Incubadora Afro brasileira, Giovanni Harvey, palestrou na FIRJAN, no dia 04 de Outubro de 2011, em um seminário intitulado “Promoção do empreendedorismo e da igualdade racial no contexto dos grandes eventos esportivos”, dentro da mesa redonda “Formação profissional, de emprego e renda: oportunidades para ações afirmativas”.

Harvey baseou sua fala em premissas verdadeiras e falsas sobre as políticas públicas de inclusão racial. Iniciou falando sobre a premissa falsa de que a justificativa para a desigualdade entre brancos e negros estaria pautada exclusivamente na desigualdade de escolaridade e, portanto, a solução está em uma política universal como o PROUNI e não em uma política afirmativa como as cotas no vestibular. Segundo ele, apesar de ser verdade que, em média, a população negra tenha estudado menos, a desigualdade de oportunidades se mantém quando o universo de análise se restringe a brancos e negros com o mesmo grau de escolaridade.

Seu exemplo de premissa verdadeira foi à questão do ciclo econômico virtuoso, uma boa oportunidade para a inserção de novos segmentos historicamente discriminados. Para Harvey, com certeza é mais fácil incluir em um cenário positivo do que o oposto, no entanto, o cenário virtuoso por si só não é capaz de realizar nada. Por suas próprias palavras “é preciso haver vontade política, comprometimento político, para que as oportunidades geradas pelo ciclo virtuoso não aprofundem a concentração de renda, aumentando o fosso que separa a riqueza da pobreza”. E justamente nesse ponto está a principal dificuldade, a redistribuição de renda deve se basear em oportunidades, qualificação por si só não resolve o problema. Segundo o palestrante, devemos inverter o paradigma de que é preciso primeiro qualificar para depois democratizar as oportunidades.

Essas premissas são fundamentais porque elas pautam um diagnóstico, se elas são falsas ou baseadas em meias-verdades, o diagnóstico também será. Para exemplificar a questão, Harvey cita dois dos mais importantes diagnósticos realizados: o “Perfil do empreendedor Afro brasileiro no Estado do Rio de Janeiro”, pelo Centro de apoio ao desenvolvimento (CAD), coordenado por Jorge Aparecido Monteiro e “Destino Manifesto: o perfil dos empreendedores afro brasileiros”, pelo professor Marcelo Paixão da UFRJ, por meio do PNUD. Ambos concordam com o fato de que os empreendedores afro brasileiros concentram suas atividades no comércio e prestação de serviços, portanto, qualquer política deve se concentrar no setor.

Por fim, Harvey traçou uma meta: “consolidar, de forma sustentável empresas lideradas por homens e mulheres negras no Estado do Rio de Janeiro até junho de 2017”. Como fontes de recursos, foi sugerido o BNDES e o IAF. Para que isso se concretize de fato, se faz necessário acabar com a contradição que a elite brasileira tenta estabelecer, contrapondo as políticas universais e afirmativas. “Elas são complementares entre si e não antagônicas”, conclui Harvey.

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