Prefeitura inicia restauração do Centro Cultural José Bonifácio e cria o Circuito Histórico e Arqueológico de Celebração da Herança Africana

nov 18, 2011   //   por admin   //   Destaque  //  Sem Comentários

A prefeitura do Rio de Janeiro anunciou, dia 16 de novembro, a criação do circuito histórico e arqueológico da herança africana, na região do centro da cidade, na zona portuária. A cerimônia que aconteceu no Centro Cultural José Bonifácio e posteriormente no Cais do Valongo, contou com a presença de representantes do movimento negro, como o jornalista e sambista Rubem Confete, que tanto lutaram para que essa memória fosse resguardada.

Por meio do programa Porto Maravilha, o Centro Cultural José Bonifácio, um grande casarão histórico construído no século XIX, será restaurado e integrará um circuito junto com diversos pontos de interesse da cultura e memória afro brasileira. O circuito será composto pelo Cais do Valongo, os Jardins do Valongo, a Pedra do Sal, o Largo do Depósito e o Instituto dos Pretos Novos. O objetivo é que o local se torne referência e possa ser visitado tanto por turistas quanto por alunos das escolas públicas e privadas do Rio.

Para o diretor executivo da Incubadora Afro brasileira, Giovanni Harvey, o Cais do Valongo preenche todos os requisitos para ser reconhecido como patrimônio histórico da humanidade, assim como já são os postos de saída dos navios negreiros em Dakar e Cabo Verde. O Cais, que se transformará em um monumento aberto, pode ser considerado um lugar especial desse circuito, já que foi um dos maiores portos de chegada de escravos do mundo, estimando-se que mais de um milhão de africanos desembarcaram no local. Todos os dias são encontrados, durante as escavações, objetos utilizados pelos escravos, como botões produzidos a partir de ossos bovinos, cachimbos de cerâmica e búzios de atividades religiosa. As obras estão sendo acompanhadas por arqueólogos e pesquisadores, para que haja todo o cuidado necessário.

A população carioca poderá reconhecer, finalmente, a importância do povo africano para a construção da cultura da nossa cidade, com o conhecimento que será adquirido nas visitações. Uma memória que por muitos anos ficou enterrada e consequentemente escondida e esquecida. Embora o passado não possa ser modificado, devemos lutar por um futuro mais justo de real integração e igualdade entre todos e para isso é fundamental que a história dos nossos antepassados seja devidamente lembrada.

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